Barrozo: Um Caçador de Utopias
“A poesia é uma
ilha cercada de palavras por todos os lados.”
Acompanhei
um homem de muitas histórias, muitas travessuras pela existência, um
mito agnesiano, durante uma entrevista concedida à TV Eldorado, na segunda-feira.
Atende pelo nome comum, Raimundo Barrozo
Sousa Braga, pai de família honesto, homem polêmico, com uma pitada forte de
irreverência nas veias. Envolveu-se desde cedo com o universo encantador da
Literatura, leu todos os clássicos, ficou íntimo da poesia e tornou-se um
fazedor de versos, tal qual seu ‘
magister magnus’ Patativa do Assaré.
Disse
ao apresentador do jornal, que assumira seu talento com as letras depois de
sair incólume de um derrame, e principalmente porque, Nauro Machado e José
Chagas insistiram, ao ponto de convencê-lo que ele é realmente poeta. Citou um
trecho do poema IRREVERENTE durante a gravação: “Polêmico, excêntrico,
antiético, irreverenete/ para os mais taxativos: sou intransigente/ não aceito
cabestros, não me curvo a reis/ nem devo obediência a senhores.” Fiquei
contente com a ironia fina do meu novo confrade. Olhem , meus queridos
leitores, só os homens de caráter forte usam essa figura de linguagem com
elegância.
Por falar em ironia, identifiquei na linha
discursiva do Barrozo uma dúvida existencial forte em relação à vida, assim
como em relação ao divino, assemelhando-se muito ao poeta angelical, que não
acreditava nem mesmo no amor. Os dois afirmam nas entrelinhas: “o amor e a
humanidade são duas grandes mentiras. Só a morte é real .”
Ele está com uma antologia pronta para
publicação cujo título é: IRREVERÊNCIA…
OU QUASE; POESIA… TALVEZ. Nesse trabalho saído das mãos de um roceiro-poeta
vislumbrei forte crítica social, um ceticismo enraizado, uma linguagem bem
elaborada, até quando parece ser singela.
Li
quase todas as criações poéticas desse ousado membro de nossa confraria. Senti
depois de alguns encontros a verdade nua
em suas palavras, sei que ele carrega o escudo da razão, da verdade (sem nenhuma
vaidade), por isso bateu em mim uma alegria enorme ao falar do amigo, do poeta.
Reconheço nele mais um ser carregado de beleza, porque sabe caçar utopias num
mundo onde é proibido sonhar.
Paulo Rodrigues (Professor e Poeta)
Nenhum comentário:
Postar um comentário