segunda-feira, 13 de maio de 2013

Barrozo : Um Caçador de Utopias



Barrozo: Um Caçador de Utopias
“A poesia é uma ilha cercada de palavras por todos os lados.”

     Acompanhei  um homem de muitas histórias, muitas travessuras pela existência, um mito agnesiano, durante uma entrevista concedida à TV Eldorado, na segunda-feira. Atende pelo nome comum,  Raimundo Barrozo Sousa Braga, pai de família honesto, homem polêmico, com uma pitada forte de irreverência nas veias. Envolveu-se desde cedo com o universo encantador da Literatura, leu todos os clássicos, ficou íntimo da poesia e tornou-se um fazedor de versos, tal qual  seu ‘ magister magnus’ Patativa do Assaré.
    Disse ao apresentador do jornal, que assumira seu talento com as letras depois de sair incólume de um derrame, e principalmente porque, Nauro Machado e José Chagas insistiram, ao ponto de convencê-lo que ele é realmente poeta. Citou um trecho do poema IRREVERENTE durante a gravação: “Polêmico, excêntrico, antiético, irreverenete/ para os mais taxativos: sou intransigente/ não aceito cabestros, não me curvo a reis/ nem devo obediência a senhores.” Fiquei contente com a ironia fina do meu novo confrade. Olhem , meus queridos leitores, só os homens de caráter forte usam essa figura de linguagem com elegância.
     Por falar em ironia, identifiquei na linha discursiva do Barrozo uma dúvida existencial forte em relação à vida, assim como em relação ao divino, assemelhando-se muito ao poeta angelical, que não acreditava nem mesmo no amor. Os dois afirmam nas entrelinhas: “o amor e a humanidade são duas grandes mentiras. Só a morte é real  .”

    Ele está com uma antologia pronta para publicação cujo título é: IRREVERÊNCIA… OU QUASE; POESIA… TALVEZ. Nesse trabalho saído das mãos de um roceiro-poeta vislumbrei forte crítica social, um ceticismo enraizado, uma linguagem bem elaborada, até quando parece ser singela.
    Li quase todas as criações poéticas desse ousado membro de nossa confraria. Senti depois de alguns encontros  a verdade nua em suas palavras, sei que ele carrega o escudo da razão, da verdade (sem nenhuma vaidade), por isso bateu em mim uma alegria enorme ao falar do amigo, do poeta. Reconheço nele mais um ser carregado de beleza, porque sabe caçar utopias num mundo onde é proibido sonhar.

Paulo Rodrigues (Professor e Poeta)
     
   
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário