Leitura, Neto Hadad e
Lamparinas Acesas
No último final de semana, conversei
bastante com Neto Hadad sobre a força da boa Literatura, capaz de nos
arrebatar, reanimando nossa alma lírica. Um bom papo, regado com a genialidade
do Fernando Pessoa e seus heterônimos. Estávamos adiantados no diálogo quando
ele apresentou-me o romance ‘Os Luminares Tchecos’ psicografado por Wera
Krijanowskaia, que apresenta como protagonista Jan Huss, um sacerdote precursor da Reforma Católica.
Gosto do tema e respeito profundamente os seguidores da doutrina de
Allan Kardec. São geralmente grandes figuras humanas, transcendentes em algumas
ações. Toco no assunto para reafirmar a generosidade do jornalista Neto Hadad,
homem de tantas e tão altas virtudes, atuante em vários veículos de comunicação
pelo Brasil, figura fulcral da última eleição municipal de Santa Inês – tão sofrida,
difícil, apaixonante mesmo!
Mas, quero mesmo é contar o seguinte causo. O jornalista emprestou-me
para minha satisfação o livro de crônicas ‘ Éramos Felizes e não Sabíamos’ de
Bernardo de Almeida, um intelectual da mais alta estirpe. Como dissera Ubiratan
Teixeira: “poeta, dono de infinitos recursos; político ligado ao sonho
coletivo, cronista dos maiores”. Eu tinha o desejo em mim de ler esta obra,
porque o Nauro Machado faz reverência, total reverência a esses textos, que são
uma descrição da provinciana São Luís.
Meus leitores, tive a mesma sensação da menina do conto Felicidade
Clandestina da Clarice Lispector ao ler as notas da orelha. Aquela vontade de
não mais abandonar a leitura até terminá-la completamente. O livro é nostálgico
do preâmbulo ao desfecho. Por exemplo, O Ceguinho da Rua de Nazaré narra a
figura de um cego poético, encantador, dono de uma flauta inesquecível. O autor
conseguiu dar um foco de luz, num personagem comum, mostrando-o cheio de
riqueza - as crônicas servem para iluminar a vida, diz uma voz dentro de mim, qualquer
hora acredito nisso.
É boa a sensação de leitor realizado, com o semblante de domingo de
carnaval. Agradeço de verdade ao Neto Hadad pelo presente, assim como pelas
lamparinas acesas nas cavernas da minha sensibilidade. Valeu mesmo, camarada!
Paulo Rodrigues
Gostei da linha discursiva desse texto. Fiz uma leitura lírica do Chefe de Governo...
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